MENTE ESPIRITUAL


Segundo o psicólogo canadense Michael Persinger, que declarou anos atrás ter desencadeado, ao apertar um botão, sentimentos quase religiosos em voluntários ao sensibilizar certas regiões do cérebro por meio da Estimulação Magnética Transcranial, acaba de afirmar que Deus é uma construção da mente.

Segundo a revista VIVER MENTE & CÉREBRO, Pehr Granqvist, da Universidade de Uppsala, Suécia, jogou um balde de água fria sobre os pesquisadores. Baseado no método de Persinger, Granqvist expôs novamente a mente dos quase 90 participantes de sua pesquisa a fortes campos eletromagnéticos. Nem a pessoa testada nem o coordenador, porém, sabiam em que momento a corrente magnética estaria ligada.

O resultado do teste foi surpreendente: cerca de 25% dos "enganados" relataram ter tido "um sentimento estranho", como se uma terceira pessoa invisível estivesse presente. Mas uma em cada duas pessoas viveu essa experiência espiritual com o estimulador cerebral desligado.

Segundo uma pesquisa feita posteriormente, os espiritualistas estavam, de maneira geral, mais abertos a experiências sobrenaturais. Seria este apenas um efeito placebo? Segundo o cientista, não. Parece que o método de Granqvist não seria comparável ao seu, além de que o tempo de exposição teria sido insuficiente para estimular o cérebro suficientemente.

A MENTE SENSORIAL

Os humanos comunicam de diferentes maneiras: palavras, gestos, olhares e posturas fazem parte de um reportório imenso com o qual formamos linguagens.

A prova foi fornecida por Beatrice de Gelder, da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos. Por meio de um tomógrafo de ressonância magnética, ela acompanhou a actividade cerebral de pessoas enquanto assistiam a curtas seqüências de vídeo nas quais actores amadores faziam poses diversas com expressões neutras no rosto.

As posições de pé ou de braços abertos não suscitaram nenhuma reacção fora do comum nos observadores. Mas à visão de pessoas claramente encolhidas de susto ou agachadas, uma série de regiões do cérebro entrava em funcionamento: ao lado da amígdala, do sistema límbico, também as células nervosas do córtex pré-motor se activaram. Ali estavam os neurônios responsáveis tanto pela simples visão quanto pela execução activa de algumas reações. Assim, os pesquisadores consideraram os padrões de actividade cerebral como sinal de que as pessoas testadas já repetiam internamente as atitudes observadas.

Também se concluiu que os sinais de alarme transmitidos pela linguagem corporal não faziam parte da reflexão consciente - na verdade, eram difundidos como uma avalanche de medo. Assim, em uma multidão alarmada até o último fio de cabelo, muitas vezes um mínimo sinal pode desencadear pânico em massa
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O Poder Oculto do Inconsciente


Estima-se que mais de 90% da nossa actividade mental se processe em modo não consciente, isto é, sem a nossa percepção e conhecimento. É fácil de entender, por exemplo, que milhares de memórias e conhecimentos estejam fora do nosso alcance consciente mas estão algures guardados no cérebro. Basta lembrar-nos como, de repente, temos uma ideia ou uma solução que buscávamos sem sucesso. Ou então, o material dos sonhos. Onde está esse material que alimenta os sonhos que ocupam uma boa parte do nosso sono? Mais ainda: aquilo que se chama intuição - uma espécie de conhecimento difuso mas que muitas vezes está certo. Onde se gera a intuição?

E os pensamentos? De onde vêm os pensamentos? Já reparou que estamos sempre a pensar em alguma coisa? Na verdade, eles são produzidos por campos de energia psíquica de que não temos previamente consciência.

Podemos afirmar que o mundo inconsciente da nossa psique é enorme, intemporal e não ocupa espaço no cérebro. Está lá e não está. Há toda uma actividade mental, incluindo emoções, que desconhecemos e que interferem na nossa vida consciente.

Mais impressionante ainda: está demonstrado cientificamente que tomamos as nossas decisões meio segundo antes de sabermos o que decidimos. É como se uma inteligência inconsciente agisse em nosso nome pondo em causa a ideia de que somos seres independentes e que mandamos nos nossos pensamentos. Parece que não é bem assim que as coisas se passam.

Os processos inconscientes ajudam a automatizar gestos. Por exemplo: depois de muito treino um atleta ou um artista executa as suas provas de forma natural, sem necessidade de pensar o que fazer a não ser manter-se concentrado. Mas o conteúdo da competência foi aprendido e depois age sob o efeito do inconsciente cognitivo.

Todos os dias os nossos sentidos captam milhões de informações (imagens, sons, cheiros, etc). A maior parte dessa informação nós não damos conta dela pois é recolhida de forma não consciente. Ela fica guardada na memória. O registo é automático, quer queiramos quer não. Depois, mais cedo ou mais tarde, esse material vai alimentar ideias, pensamentos, intuições e sonhos. Ele dirige nossos comportamentos e escolhas. Alimenta a nossa personalidade. E está também implicado no aparecimento e no desenvolvimento de muitas doenças orgânicas. O assunto é deveras complexo.

Sabia que a invenção da simples e vulgar máquina de costura que as nossas mães e avós tinham em casa só foi possível devido a um sonho? Pois ela foi desenvolvida por um americano de nome Elias Howe (1819-1867) graças ao trabalho da sua mente inconsciente. Ele tinha um problema: como fazer correr a linha? Teve a sorte de uma noite sonhar que deveria abrir um orifício na ponta da agulha. No dia seguinte, estava inventada a máquina de costura cujo mecanismo ainda hoje é o mesmo. A diferença é que as máquinas de costura agora são eléctricas.

Será possível interferirmos no inconsciente? Sim, em certa medida. Na verdade, a psique inconsciente é feita de informações genéticas e ambientais. A história da nossa mente desde os 3 ou 4 meses de gestação (ainda protegidos do mundo pelo ventre de nossa mãe) tem, nesse capítulo, um papel muito importante pois a nossa memória existencial começa a trabalhar antes de nascermos. Ela trabalha quer em modo inconsciente, quer em modo consciente. Da junção de todas as informações e emoções recebidas o inconsciente vai estabelecendo a sua própria história e sua inteligência. E assim será ao longo de toda a nossa vida. Veja pois como o mundo exterior e o mundo interior da psique influenciam o nosso inconsciente.

A Consciência vista pela neurociência


António Damásio, o autor de O Mistério da Consciência, um dos maiores neurologistas do mundo, diz que a grande polémica, no futuro, será o controle das emoções pelo conhecimento da mente

No campus da Universidade de Iowa, Estados Unidos, o neurologista português António Damásio gasta boa parte do tempo tentando compreender uma das áreas mais nebulosas do conhecimento: a consciência humana. "É difícil encontrar um desafio mais instigante para um cientista", diz Damásio. "Afinal, o que poderia ser mais fascinante do que conhecer o modo como conhecemos?"

Nos seus dois livros, O Erro de Descartes e O Mistério da Consciência (editados no Brasil pela Companhia das Letras), Damásio descreve como a consciência abriu caminho para uma verdadeira revolução na natureza, tornando possível o surgimento da religião, da moral, da organização social e política, das artes, da ciência e da tecnologia. Ele tenta encontrar as respostas para as questões mais antigas da filosofia pesquisando o que há de mais novo no conhecimento do cérebro. Depois da polémica em torno da clonagem humana, ele prevê que os debates mais fervorosos da ciência estarão ligados à possibilidade de manipularmos nossas emoções por meio de uma melhor compreensão da mente.

Qual a origem da consciência humana?

A consciência é fruto da necessidade básica de nos mantermos vivos. É claro que, na natureza, existe uma série de organismos simples que vivem de uma forma basicamente automática. Desde que mantenham cuidados básicos, como evitar perigos e adquirir a energia por meio dos alimentos, a vida desses organismos pode ser preservada. Os seres humanos são mais complexos: além de precisarem manter a vida de uma forma simples, eles têm que se adaptar a um ambiente cheio de dificuldades para obter energia e se expõem a inúmeros perigos e oportunidades. Nesse ambiente que não é apenas físico, mas também cultural, precisamos de um sistema complexo de imaginação, criatividade e planeamento. A consciência surge dessa necessidade.

Existe uma primeira forma de consciência?

Uma forma de consciência inicial aparece quando o homem sente que ele é um ser em si mesmo. É difícil encontrar uma palavra, em português, para definir o processo. Chamo essa consciência de self. É ela que faz que não sejamos um robô, uma máquina manipulável. Podemos guiar a imaginação e conduzir a criatividade por meio dessa consciência. Para compreendermos o que é a dor, o sofrimento, e também o prazer das outras pessoas, precisamos antes ter uma ideia de quem somos. E a consciência self é fundamental para que possamos respeitar os outros.

Como o estudo da consciência pode melhorar a vida das pessoas?

Grande parte do sofrimento humano é causado por conflitos das pessoas consigo mesmas. Quando conhecemos mais a natureza biológica do homem, encaramos esses problemas com outro olhar. Se conhecemos os mecanismos que accionam a ansiedade, a tristeza e a alegria, podemos entender melhor como cada pessoa é e evitar certos problemas. Pense nos conflitos religiosos, políticos e de grupos sociais. É claro que há bases económicas para eles – mas acredito que a compreensão das emoções pode ajudar a mudar a maneira pela qual as pessoas tentam resolver essas disputas. Entender a tendência para a violência, para a competição ou o funcionamento do medo é fundamental para o autocontrole. Posso soar optimista, mas acredito que, quando admitirmos que nossa razão é influenciada por essas emoções, o mundo poderá tornar-se melhor.

A compreensão detalhada da consciência não pode nos tornar mais céticos – ao descobrirmos, por exemplo, que há, no cérebro, uma região responsável pelo amor ou outra pela fé?

Mesmo que venhamos a compreender a mente com mais profundidade, será muito difícil desvendar mistérios como a origem do universo ou o que faz com que nos apaixonemos por outra pessoa. É possível que nunca cheguemos a desvendar essas questões – talvez nosso cérebro não tenha capacidade para compreender certos enigmas...

Como a crença em Deus...

Exactamente. Acho improvável que a neurociência consiga, um dia, apresentar razões para que as pessoas tenham ou deixem de ter fé numa inteligência superior. Elas podem até deixar de acreditar em milagres. Mas a ciência não tem como concluir que o Criador existe ou deixa de existir. A fé e a origem do universo não são problemas científicos passageiros. Mesmo assim, o conhecimento da mente pode mudar a forma como nos relacionamos com a vida. As pessoas tendem a aceitar a morte em função da complexidade do universo. Acho que deveria ser o contrário: constatando como a vida é frágil, podemos dar mais importância a ela e trabalhar para que seja a melhor possível enquanto dure.

A cada ano surgem um novo antidepressivo e drogas que provocam emoções artificiais. Você acredita que, no futuro, teremos uma droga que possa acabar com as emoções negativas?

Acho que sim. É uma questão importante, que precisaremos discutir cada vez mais. Imagine uma superpopulação tomando Prozac diariamente. Esse grupo de pessoas alteraria um sistema natural e poderia causar diversos problemas – é claro que alguns problemas seriam resolvidos, mas as consequências da proliferação dessa medicação poderiam levar à ruína de uma sociedade. Tem que haver mais investigação sobre como essas drogas serão usadas. É claro que as pessoas deprimidas devem ser tratadas, mas pode ser um erro tomar o medicamento apenas para inibir a timidez e impulsionar a vida social. A ciência precisa trazer mais informações para que esses temas não sejam discutidos pela simples opinião ou intuição de algumas pessoas.

Chegaremos, um dia, a manipular tão bem as áreas do cérebro que poderemos reproduzir com uma pílula a sensação de voar ou de passear numa montanha russa?

É bem provável que isso seja possível. E, sem dúvida, para a sociedade esse será um assunto tão polêmico quanto o da clonagem genética. Vamos ter que decidir o que deve e não deve ser permitido – exatamente como na regulamentação da indústria do cinema e da televisão. Há um ponto em que tanto a criação artística quanto a científica precisam ser filtradas pela sociedade. Mas não podemos deixar que um burocrata decida isso. Quanto mais informações forem divulgadas no futuro, inclusive por meio desta revista, mais condições a sociedade terá para tomar suas decisões.

Que outro tipo de realidade virtual poderá ser criada, no futuro, manipulando o cérebro?

Prefiro não especular, tudo ainda não passa de teoria.

O estudo da consciência humana é um campo da ciência à espera de um novo Newton?

O problema da consciência é um tema complexo, que tem sido mal abordado. É evidente que é necessário avançar muito mais. Acho que meu livro O Mistério da Consciência traz alguns avanços importantes sobre o assunto, mas não devemos ter a ingenuidade de acreditar que tudo está resolvido. Há imensos problemas à espera de mais investigação e trabalho. Nos próximos dez ou 20 anos, talvez seja possível resolver boa parte deles.

Como escrever sobre assuntos tão complexos para o público leigo?

Os temas sobre os quais escrevo são importantes demais para ficarem restritos aos cientistas. Escrever sobre o pâncreas ou o fígado pode ser atraente apenas para os médicos, mas o público tem interesse quando falamos da mente, do pensamento, da emoção e do sentimento. É fantástico o retorno que tenho recebido dos leitores dos meus livros em todo o mundo. Interessados em arte, literatura e cinema dizem que essa pesquisa os ajuda a compreender melhor o que fazem nas suas próprias áreas.

In SuperInteressante

Dois grandes enigmas do Conhecimento!

A revista francesa SCIENCE & VIVRE (número de Agosto 2008) seleccionou 10 grandes mistérios da Ciência e do Conhecimento Humano. Entre eles, destacam-se A CONSCIÊNCIA (como é que o nosso cérebro a produz) e A FORMAÇÃO DAS IDEIAS (como é que o nosso cérebro constrói o pensamento criativo). Não longe destes dois temas que apaixonam e envolvem milhares de cientistas, psicólogos, filósofos e outros estudiosos, a revista elegeu também:
O que havia antes do Universo nascer? Como apareceu a vida? Existem outros universos? Quando é que de um óvulo se faz um ser vivo? O nosso mundo é quântico? Qual é a natureza do Tempo? O que é que realmente nos distingue dos outros animais (já que partilhamos com o chimpanzés 99% dos genes)? Como é que vai acabar o Universo?

Perguntas curiosas, sendo que algumas são inquietantes. O não sabermos as respostas levanta receios, gera polémica entre os diferentes teóricos. Mas, ao mesmo tempo, desafia a nossa inteligência, provoca a nossa sede de saber e gera vocações científicas entre os mais jovens.
Leia também o site Viver!
Como quer que seja constituído o inconsciente - seja ele uma inteligência escondida ou uma rede de reflexos insensíveis - uma coisa é certa: o inconsciente provou ser um dos conceitos mais robustos na psicologia.
Frank Tallis, psicólogo clínico in Hidden Minds - A History of the Unconscious

"A Ciência é uma das formas de conhecimento e não a única forma de conhecimento possível."
Lawrence LeShan

O doente, o médico e a terapia

"(...) Na psiquiatria biológica pura, o terapeuta administra uma droga - Prozac, Xanax, Elavil - que provocará a estabilização dos padrões de comportamento. Muitos psiquiatras administram a droga logo na primeira consulta (...). Nesta psiquiatria biológica pura não é necessária a presença do paciente. Não existe uma interpretação extensiva da situação do indivíduo. Não se tenta aumentar o autoconhecimento. Não se procura explorar as profundidades interiores e obter um melhor conhecimento do próprio ser.
(...) A depressão surge, não porque faltam valores, significados ou virtudes na vida de um indivíduo, mas porque falta a serotonina - mesmo que um fornecimento maciço de serotonina não faça nada para desenvolver os valores.
Por outras palavras, a depressão pode ser provocada interiormente por um pai ausente, sendo o seu correlativo exterior um nível baixo de seretonina no cérebro e o Prozac pode, até certo ponto, corrigir esta carência de serotonina.
(...) Mas o Prozac não ajuda a compreender a dor interior, a interpretá-la de forma a fazer sentido e a contribuir para o conhecimento de si mesmo. Quando não se está interessado em obter isto, quando não se está interessado em fazer alguém compreender a sua própria profundidade, basta, de facto, utilizar Prozac.
Ken Wilber, in A Brief History of Everything, 1996

A medicina integral

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A Medicina Integral acompanha o novo (e necessário) paradigma da saúde. Aquela tem de tornar-se holística, perceber o doente na sua totalidade e ajudá-lo a corrigir a desarmonia que está subjacente à causa das enfermidades.
A saúde e a doença não acontecem simplesmente. Ambas são processos activos induzidos pela harmonia ou desarmonia interior, influenciados pelo estado de consciência e a capacidade ou incapacidade das pessoas tirarem partido da experiência.
O corpo deixa de ser visto como uma "máquina" para ser entendido como um organismo, um sistema dinâmico, um contexto, um campo de energia dentro de outros campos. A dor e a doença deixam de ser vistas como desarranjos ou anomalias para serem percebidas como informações sobre conflitos e desarmonias.
Assim, o dualismo corpo-mente esfuma-se. A mente deixa de ser um factor secundário para ser um factor primário e de igual valor em qualquer doença. O doente é um ser humano e, por conseguinte, não deve ficar reduzido a um número afixado nos exames, nos processos médicos e nos serviços de saúde. Os aspectos qualitativos são superiores aos quantitativos. Os relatos subjectivos dos pacientes e as intuições dos médicos devem ser levados em consideração.
O bem-estar, a saúde, emana de uma matriz corpo/mente, reflectindo harmonia psicológica e somática.
Finalmente, toda a cura é auto-cura. Significa isto que a cura vem sempre como um resultado directo do doente perceber-se a si mesmo como um todo, o que implicará uma mudança de pensamento, ou seja, uma transformação de atitudes, valores e convicções.
"Não ter interesse por estes tópicos (a natureza da matéria e da luz, a origem do Universo, a origem do Homem e a natureza da consciência e da "alma") é revelar-se verdadeiramente ignorante."
Francis Crik (1916/2004)
Físico e Bioquímico. Co-vencedor do Prémio Nobel da Medicina e Fisiologa (1962)

A Bússola - Lenda ou Realidade

Veja a primeira versão online do trailer do filme "A Bússola - Lenda ou Realidade" clicando > AQUI

Ken Wilber, fundador da Psicologia Integral

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O conceito da Psicologia Integral deve-se a Ken Wilber. A sua obra concentra-se basicamente na integração de todas as áreas do conhecimento (ciência, filosofia, arte, ética e espiritualidade).
A preocupação em unir ciência e religião apoia-se em sua própria experiência e na de diversos místicos de todas as grandes tradições de sabedoria, tanto ocidentais quanto orientais; aliado à sua releitura transpessoal da psicologia analítica de Carl Gustav Jung.
Em 1998, Wilber fundou o Instituto Integral (Integral Institute), organização que reúne os inúmeros pensamentos nas questões sobre a ciência e a sociedade de maneira integral. Ele tem sido pioneiro no desenvolvimento da Psicologia Integral, da Política Integral - e, mais recentemente, de uma nova Espiritualidade Integral.
No dia 4 de Janeiro de 1997, o jornal alemão Die Welt declarou Wilber como "o maior pensador no campo da evolução da consciência". Segundo muitos formadores de opinião em filosofia, psicologia e espiritualidade, Ken Wilber seria o maior filósofo da actualidade, envolvido no desenvolvimento das estruturas e idéias que, quando reconhecidos e aplicados, tendem a ampliar a futura visão de mundo, ciência e religião em um novo paradigma "integral".
Desde recentemente, Wilber dedica-se à prospecção de uma "Teoria de Tudo", um metamodelo do conhecimento já produzido que possa unificar e estruturar a visão do que chama de Kosmos: físico, vida, mente, alma e espírito.
No livro "Consciência Cósmica" (Kosmic Consciousness), Wilber começou o que ele se intitula: contador de histórias e criador de mapas. As suas histórias falam sobre questões universais e seus mapas integram várias perspectivas do cosmos.
Em "Uma Teoria de Tudo" (A Theory of Everything), texto introdutório ao paradigma integral, Wilber sintetiza suas teorias e ferramentas, e propõe uma visão integral - e unificável - para os negócios, a política, a ciência e a espiritualidade.
Em "Espiritualidade Integral", Wilber expande sua visão Integral para formular uma nova teoria para a espiritualidade, propondo um papel inovador para a religião, transcendência e a sua aplicação no quotidiano.
Bibliografia em português:
O Paradigma Holográfico e Outros Paradoxos (Cultrix, 1991)
O Espectro da Consciência (Cultrix, 1996
)
Consciência Sem Fronteiras (Cultrix, 1989)
Um Deus Social (Cultrix, 1987
)
Transformações da Consciência (Cultrix, 1999)

O Projeto Atman: Uma Visão Transpessoal do Desenvolvimento Humano (Cultrix, 2000
)
O Olho do Espírito (Cultrix, 2001
)
A União da Alma e dos Sentidos (Cultrix, 2001
)
Uma Breve História do Universo (Nova Era, 2001
)
Uma Breve História de Tudo (Via Óptima, 2002
)
Psicologia Integral: Consciência, Espírito, Psicologia, Terapia (Cultrix, 2002
)
Uma Teoria de Tudo (Cultrix, 2003
)
Boomerite: Um Romance que Tornará Você Livre (Madras, 2005
)
Uma Teoria de Tudo (Oficina do Livro, 2005
)
Ken Wilber em Diálogo (Madras, 2006
)
Espiritualidade Integral (Aleph, 2007
)

Fases de Ken Wilber
O próprio filósofo define a sua obra em 5 fases:
Na Fase 1, (-1979), se identifica com a psicologia junguiana e a filosofia romântica, vendo o crescimento espiritual como um retorno ao Self.
Na Fase 2, de 1980 a 1982, adentra a psicologia do desenvolvimento, aprofunda seus estudos da consciência, agregando filosofias ocidentais e orientais. Nesta fase, o crescimento espiritual é fruto do processo de amadurecimento.
Na Fase 3, de 1983 a 1987, compreende o amadurecimento como um processo complexo, onde é necessário um equilíbrio do Self entre o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e espiritual; dentre outros. De 1987 a 1995, praticamente não publica, devido a questões pessoais - em especial a grave doença de sua esposa, falecida em 1989.
Na Fase 4, de 1995 a 2001, sua teoria ganha dimensões socioculturais, através da teoria dos quadrantes (eu, isto, nós, istos; intencional, neurológico, cultural e socioeconômico), a aplicação dos mesmos a todo o conhecimento humano, sua interdependência, e o "fundamentalismo" de visões (filosofia, ciências, espiritualidade, psicologia, etc) baseadas em apenas um destes aspectos.
Na Fase 5, "pós-metafísica" (2001-), Wilber parte para uma visão mais integral de sua teoria. A questão transcendente permanece, mas há uma compreensão de todos os níveis da Espiral Dinâmica, inclusive os "mundanos"; em lugar de sua abordagem metafísica (evolução/involução) anterior. Seu próprio modelo passa a ter uma abrangência que se estende a todos os quadrantes, tipos, níveis, linhas e estados previamente definidos em sua prospecção do conhecimento humano.

Conceitos
No modelo de Ken Wilber, a consciência organiza-se em esferas evolutivas que sucessivamente incluem e transcendem a camada anterior. A vida inclui e transcende a organização física e molecular onde ocorre; a mente, por sua vez, inclui e transcende a vida; a alma inclui e transcende a mente; e o espírito, a alma.
A: Matéria / Física - A
B: Vida / Biologia - A+B
C: Mente / Psicologia - A+B+C
D: Alma (sutil) / Teologia - A+B+C+D
E: Espírito (causal) / Misticismo - A+B+C+D+E
Esta idéia que qualquer "todo" conhecido é apenas um "holon" (parte de um "todo maior", conceito holístico emprestado de Arthur Koestler), e aplica-se também átomos, moléculas e organismos; letras, palavras, frases, páginas, livros e idéias; e à própria consciência humana, um holon que se manifesta em quatro quadrantes: eu, isto, nós, "istos" (isto coletivo).
Por este modelo, a negação das camadas vistas como "inferiores" (comum a vários sistemas filosóficos e religiosos), seria um equívoco; assim como o descarte, por parte de alguns campos da ciência, de toda esfera que transcenda os limites de sua visão.
A visão científica em geral considera um "cosmos" da realidade física como "todo", e não um holon. Isso implica a visão de que apenas a física e causalidade seriam as ciências perfeitas e reais. Wilber propõe a retomada do conceito grego de "Kosmos", que inclui não só a matéria, mas também a vida, a mente, a alma e o espírito. Assim, uma visão materialista encontraria explicações para o domínio de seu "olho do físico", criando teorias para o cosmos. Já uma visão de Kosmos implicaria o desenvolvimento de um "Olho do Espírito", uma vez que causas oriundas de um holon transcendente pareceriam inexplicáveis - ou factos acausais, na visão de Carl G. Jung - se considerado apenas a esfera anterior.
Wilber também expande o conceito da Dinâmica da Espiral de Clare W. Graves, um modelo dos estágios do desenvolvimento humano, aplicável a vários campos, de acordo com uma visão do mundo mais ou menos individual, familiar, coletiva ou holismoholística.
Segundo o filósofo, a maioria das visões espirituais e psicológicas incorrem numa visão dualista (racional ou espiritual, ciência ou religião, ego ou essência do ser). Para Wilber, contudo, há um modelo de três camadas (pré-pessoal, pessoal e transpessoal; mítico, religioso ou místico; corpo, ego ou Ser; instinto, intelecto ou intuição; natureza, cultura ou Kosmos), e há um falácia ao incluirmos as experiências pré-pessoais na coluna "espiritual" do modelo anterior. Assim, sua análise discerne, no dito espiritual, aquilo que é "transpessoal" e evolutivo daquilo que seria "pré-pessoal".
Wilber propõe dez níveis e quatro quadrantes que, se combinados, geram a abordagem "todos os níveis, todos os quadrantes" de sua Filosofia Integral.
SUPERIOR ESQUERDO: Interior-Individual, Eu. Psicologia do Desenvolvimento.
SUPERIOR DIREITO: Exterior-Individual, Isto. Neurologia, Ciência Cognitiva.
INFERIOR ESQUERDO: Interior-Coletivo, Nós. Psicologia cultural, antropologia.
INFERIOR DIREITO: Exterior-Coletivo, Istos. Sociologia.
Cada um destes quadrantes apresenta 10 estágios ou níveis, sub-divididos em pré-pessoais, pessoais ou transpessoais:
TRANSPESSOAL: Causal, Sutil e Psíquico
PESSOAL: Centáurico/Visão Lógica, Formal (formop) e Operacional Concreto (conop)
PRÉ-PESSOAL: Rep-ment, Fantásmico-emocional, Sensório-físico e Indiferenciado ou matriz primária.
(fontes: livros de Ken Wilber e internet)

O conceito de Kosmos

Nenhuma tecnologia consegue observar a mente
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Na Psicologia Integral novos conceitos devem ser entendidos. Um deles é o Kosmos, com K e não com C. Este conceito difere da visão científica do cosmos. Onde o cosmos é por definição uma realidade física, o Kosmos refere-se a uma visão de mundo integral e que reconhece não apenas a matéria, mas também a vida, a mente, a alma e o espírito. Significa também tudo o que existe, tenha ou não sido ainda descoberto.
Num sentido real, a visão de mundo kósmica oferece-nos então um mapa do nosso próprio mundo interior – o mundo que não pode ser observado com os sentidos físicos.

(clique sobre a imagem para ampliar)

A psicologia integral ambiciona entender a pessoa humana de forma global interessando-se pelas suas várias dimensões: biológica, mental, social e espiritual.
A psicologia, no seu esforço de adoptar um atitude científica respeitável, perdeu a visão da essência do que estava inicialmente à procura. Foi estudando de forma separada os comportamentos, emoções, motivações, impulsos e a inteligência como se funcionassem de maneira autónoma.
Na verdade, a psicologia surgiu como uma ramo da filosofia para estudar a psique. Como afirma Ken Wilber, as raizes da psicologia assentam nas profundezas da alma e do espírito humnano. A psicologia integral, não sendo um regresso passado, apresenta-se num estádio avançado da psicologia humanista.
Autores como Ken Wilber e Viktor Frankl propoem então uma visão integral da disciplina. Ambos esforçaram-se por integrar as diferenes visões que existem na psicologia ambicionando criar um todo harmonioso do conhecimento sobre o ser humano. Assim, a psicologia integral procura ter em conta todos os factores em jogo na realidade da pessoa humana: o somático, o psíquico, o espiritual e os aspectos culturais e sociais.Para Frankl, o espiritual seria a realidade mais autêntica da pessoa e que põe em jogo a liberdade e a responsabilidade pessoal. Wilber, por sua vez, admite a possibilidade de integrar os diferentes níveis da psique desde o subconsciente ao autoconsciente e daí para o supraconsciente ou dimensão espiritual para assim abarcar de forma o mais completa possível a consciência. A harmonização das diferentes dimensões é a única maneira de permitir o desenvolvimento equilibrado da pessoa.
Ken Wilber consegue descrever a realidade humana em 4 quadrantes: a que mostra o Eu Individual, a que revela o Exterior Individual (os comportamentos observados), o que revela o Nós (a cultura da nossa vivência com o mundo) e o Exterior Colectivo (os comportamentos observados desde o exterior para o conjunto da humanidade). A evolução se dará então através de diferentes níveis que vão atravessando o Eu e as suas subpersonalidades e dimensões (moral, afectivo, identidade, cognição, criatividade, etc., e que podem seguir percursos independentes).Existirão então 9 níveis possíveis de evolução havendo 3 níveis prévios anteriores à formação da personalidade e 3 níveis posteriores à personalidade, por conseguinte, transpessoais. Em cada um dos níveis de desenvolvimento, o ser humano tem uma visão diferente do mundo e que se vai aprofundando e ampliando à medida que a pessoa evolui.

EM BUSCA DOS BASTIDORES DA MENTE

O inconsciente é a área da mente cujo conteúdo, processos e funções se situam num nível suficientemente profundo que impede o seu acesso consciente. Ele representa os bastidores da psique onde se alojam memórias não acessíveis, atemporais, conhecimentos e outros conteúdos que intervêm no comportamento do indivíduo e na sua personalidade. Muitas estruturas daquilo que se denomina "inteligência" e da mente emocional estão ali alojadas.

"O inconsciente é um nível mental que difere do consciente, não só quanto ao que contem como características, mas também na sua maneira de revelar os factos, de registá-los, de desenvolver a lógica e os julgamentos, na sua comunicação e na sua linguagem" - esclarece a psicóloga Renate Just de Moraes, autora do Método ADI/TPI, uma técnica de acesso directo ao mundo inconsciente.

O inconsciente é um potencial de energia e não está limitado nem pelo tempo, nem pela matéria, nem pelo espaço. "O inconsciente é, portanto, uma instância ao mesmo tempo física, psicológica, de capacidade paranormal, transcendental e das experiências sobrenaturais" - diz a psicóloga.

A verdade é que o inconsciente mental é de uma riqueza extraordinária. Nele reside a essência central de cada pessoa, um núcleo de memórias e sabedoria e também uma fonte de recursos para a pessoa mesmo que os não percepcione de forme consciente.

Até recentemente, o inconsciente podia ser abordado através de técnicas psicanalíticas. A Dra Renate, através do seu método de Abordagem Directa,tem conseguido maior sucesso através da técnica do questionamento, a qual conduz a própria pessoa a pesquisar o seu inconsciente e a responder com dados precisos a perguntas de qualquer área do conhecimento. Este método, criado em 1975, usa como técnica-base a descodificação que tem como finalidade a desprogramação ou remoção de elementos da memória inconsciente, de condicionamentos e de decisões que dificultam o acesso ao inconsciente.


O inconsciente poder ser visto?

Cientistas britânicos anunciaram que conseguiram identificar o pensamento inconsciente de uma pessoa com um exame de ressonância magnética. De acordo com uma equipe de pesquisadores do University College London, um mapeamento da actividade cerebral pode ser feito por meio da análise do fluxo sanguíneo, que pode ser observado numa ressonância magnética funcional.

Na experiência, os médicos Geraint Rees e John-Dylan Haynes mediram a actividade cerebral no córtex visual - a parte do cérebro que lida com informações enviadas pelos olhos - enquanto os voluntários olhavam para vários objetos diferentes numa tela de computador.

Ao olhar os resultados das imagens da ressonância magnética funcional, os cientistas foram capazes de adivinhar melhor o que tinha sido mostrado na tela do computador do que os próprios voluntários.

Quando duas imagens eram mostradas numa sucessão muito rápida, os voluntários apenas tinham consciência de ter visto a segunda e não conseguiam se lembrar da primeira. Porém, a ressonância magnética distinguia claramente as características da actividade cerebral criada pelas imagens "invisíveis".

Um estudo japonês semelhante revelou que quando eram mostradas tiras inclinadas em direções diferentes, as pessoas manifestavam diferenças subtis na forma de actividade cerebral obtida pela ressonância magnética.

Os cientistas criaram um programa de computador para reconhecer essas características diferentes e descobriram que conseguem adivinhar com bastante exatidão em qual direcção a tira tinha sido inclinada.

Quando os voluntários olhavam para um modelo xadrez, resultante da combinação de dois grupos diferentes de tiras, e tinham de prestar atenção apenas num dos grupos, o programa era capaz de dizer em qual deles o voluntário estava pensando.

"Este é o primeiro passo básico para ler o pensamento de alguém. Se a aproximação pudesse ser expandida, talvez fosse possível prever o que alguém estava a pensar ou a ver apenas com sua actividade cerebral", afirmou o Dr. Rees.

Segundo Adrian Burgess, do departamento de Neuropsicologia Cognitiva do Imperial College London, "a técnica é tirar informações que antes não estavam disponíveis por imagens de ressonância magnética. Isto poderia ser utilizado para detectar os preconceitos, a intuição e coisas que estão escondidas e, com isso, influenciar nosso comportamento".

O pesquisador disse que talvez seja até possível mergulhar nas memórias das pessoas e ver os medos e as fobias que estão escondidos. "Este é um caminho longo, mas é excitante." concluiu.

O CÉREBRO E A CONSCIÊNCIA

Que é a natureza da consciência? Está limitada aos seres humanos? O livre arbítrio existe?

Nesta entrevista com o neuroscientista Rodolfo Llinás, da Universidade de Nova York, descubra como o ritmo de oscilações eléctricas no cérebro provoca a consciência e como as falhas neste ritmo podem conduzir a uma variedade de distúrbios do cérebro.
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- Por que precisamos de um cérebro?

- Essa é uma pergunta intrigante. O sistema nervoso tem aproximadamente 550 milhões de anos. Basicamente há dois tipos de seres vivos: os que têm sistema nervoso e os que não têm. Estes são as plantas. Não necessitam de um sistema nervoso porque não se movem activamente, elas não puxam para cima as suas raizes e não funcionam perante um fogo na floresta! Qualquer coisa que se mova requer activamente um sistema nervoso. Sem um sistema nervoso, os animais morreriam.

- Por que morreriam se não tivessem um sistema nervoso?
- Porque se você se mover, a variedade dos ambientes que você pode explorar é muito grande. Assim, se você fosse uma planta teria de preocupar-se somente com o espaço muito pequeno em que você crescesse. Você não tem que fazer nada mais à excepção de talvez mover-se para cima e para baixo. E você segue o sol, assim não há nenhum movimento de planeamento, e conseqüentemente não há nenhuma necessidade para predizer o que está a acontecer. Quanto mais elaborado o sistema, mais inteligente e complexo é o movimento.

- Assim você necessita um sistema nervoso a fim ser capaz de prever o momento seguinte para reagir?
- Sim e para isso você tem de ter algo no sistema nervoso que o informe sobre o mundo exterior. Cada animal tem um universo diferente - o universo que vê, o universo que sente, o universo que experimenta.

- Como o é que a consciência é vista pelo cérebro? É a consciência um fenômeno misterioso?
- Eu não penso assim. Eu penso que a consciência é a soma das percepções que você deve unir num único evento. Eu acredito seriamente que a consciência não pertence somente aos seres humanos; pertence provavelmente a todos os tipos de vida que têm um sistema nervoso. A diferença reside no nível de consciência. Talvez os animais muito primitivos não tivessem consciência mas apenas sensações primitivas e movimentos primitivos. Basicamente a consciência permite-nos construir uma representação mental do que ocorre fora do sistema nervoso e que conduz o animal à tomada de decisões como fugir, avançar, parar, etc.

- Somos mais do que seres com milhões de neurónios que agem sob impulsos eléctricos?
- Alguns povos acreditam que nós somos algo além dos neurônios, mas naturalmente nós não somos. Nós somos realmente a totalidade da soma da actividade dos neurônios. Nós vivemos como se mandássemos no nosso cérebro, mas não. São os neurônios.

- Esta massa do tecido cinzento húmido que é nosso cérebro é composta assim dos neurônios?

- O cérebro é o resultado de 550 milhões de anos de evolução dos sistemas nervosos animais. Nosso cérebro, que pesa cerca de 1,350 kgs, tem 100 mil milhões de neurónios. E cada um tem 1.000 a 10.000 sinapses - pontos de contacto entre eles. Um número impressionante.

- Como o cérebro mantem todos estes neurônios diferentes a comunicarem-se em sincronia?
- Os neurónios respondem às mensagens uns dos outros, como num "chat" gigante. Um conjunto de neurônios relaciona-se com um outro conjunto de neurônios e é assim que nós temos um diálogo entre componentes diferentes no cérebro.
É como ter um número enorme de pessoas que juntam as mãos, dançam juntas e fazem círculos sempre em mudança e organizadas de tal maneira que cada membro pertence, em qualquer momento, a algum círculo. Cada dançarino está integrado num movimento particular num contexto particular.

- E há a "música" que os mantem todos a dançar juntos?
- Sim. Essa "música" é "gerada" pelos próprios neurônios. Os neurônios seguem um ritmo que lhes é intrínseco. Geram esta dança eléctrica numa dada freqüência porque têm ritmos similares. Mas como no exemplo dos dançarinos, você pode ter dois grupos a fazerem coisas diferentes ao mesmo tempo. Imagine agora que cada grupo que faz algo representa um aspecto de um evento externo, como uma cor, por exemplo.

- Esse é o trabalho do cérebro - representar um evento externo?
- Sim. O cérebro, quando acordado, produz continuamente um retrato do mundo exterior.

- O cérebro está sempre a funcionar, nunca pára de "dançar"?
- Sim. Mesmo quando dormimos, o nosso cérebro trabalha imenso. Você pode existir no seus próprios sonhos, nas alucinações ou em pensamentos profundos, ou você pode relacionar-se ao mundo exterior. As pessoas normais querem relacionar-se com o mundo exterior. Mas se você for um esquizofrénico não é capaz disso. Você é consumido por seus pensamentos. Você fica prisioneiro pelo que acontece dentro de sua cabeça.

- Que parte do cérebro assume esta coordenação? Os lóbulos frontais fazem isto, uma outra área faz aquilo....
- Se nós olharmos o sistema nervoso ele tem bàsicamente duas funções. Uma é sensorial - a habilidade para responder ao mundo exterior - e a outra é a habilidade de fazer algo sobre esse mundo, habilidade de modificar o mundo.E nos sistemas nervosos complexos como o nosso há ainda uma outra: a habilidade de inventar coisas dentro da cabeça que pode depois construir (uma pintura, por exemplo). Em toda aminha vida, desde criança, sempre me surpreendi com a nossa capacidade inventiva: o pintar,o falar,o construir.

- Fazer uma torta, por exemplo.
- Sim, fazer uma torta que não existia antes. Este exemplo dá-lhe uma idéia da habilidade inacreditável do sistema nervoso. Não somente pode ver ou mover-se, mas pode também construir uma nova realidade. Pode sonhá-la. Desse ponto da vista, é realmente o órgão final. Cada parte do cérebro tem uma função particular dentro do sistema nervoso. O cortex visual tem uma função, os lóbulos frontais têm uma outra função, o sistema auditivo outra... No entanto, quando nós olhamos o mundo extrapsíquico nós vemos as coisas como tendo as propriedades que são inseparáveis dos próprios objectos.

- Pode dar-nos um exemplo?
- Imagine que eu tenho um pássaro pequeno em minha mão. Eu posso ver o pássaro. Eu posso ver a sua cor. Eu posso ver a sua forma. Eu posso ouvi-lo cantar. Eu posso sentir o seu peso em minha mão. Pode picar-me. Todas estas coisas ocorrem simultaneamente, assim que nós dizemos que o pássaro tem aquelas propriedades. Mas todas aquelas propriedades estão unidas em partes diferentes do cérebro. Assim, o cérebro faz uma junção automática de todas estas entradas sensoriais para gerar um único conjunto - o pássaro - fora de todos os sistemas sensoriais diferentes activados. Isto chama-se a propriedade obrigatória.
Nossa experiência com um pássaro é composta de muitas entradas sensoriais diferentes, incluindo a cor, o som, o cheiro e o toque. Como o cérebro une toda esta informação simultaneamente?
Nós não sabemos exatamente como acontece mas há umas quantas boas ideias sobre como pode acontecer. Uma das formas que nós podemos tentar para compreender como acontece é estudando as pessoas que têm problemas mentais ou neurológicos. Alguém com uma lesão no cortex visual poderá ouvir e sentir o movimento mas não poderá ver; assim você sabe qual a área do sistema visual que está lesionada e identificá-la.

Publicado originalmente por NOVA Science Programming (USA)

A INTELIGÊNCIA UNIVERSAL

A inteligência é uma capacidade que desenvolvemos na medida que pensamos, raciocinamos, agimos, interpretamos e entendemos as pessoas, coisas e factos do nosso dia a dia. Quanto mais profunda a nossa compreensão, mais próximo estamos da fonte da intelectualidade. Com isso temos a capacidade de resolver situações novas com destreza e êxito, compreendendo a relação entre os fatos e a verdade, tomando decisões através do raciocínio.

O princípio da inteligência está na lógica e na ordem. A lógica é o modo de raciocinar como um facto está atingindo seu objetivo, sem colocarmos nossas opiniões e pretensões. A ordem é o modo que conduzimos, de acordo com a importância que damos a cada coisa ou fato. Reflectindo assim na nossa personalidade e postura, através do nosso senso de observação e discernimento do que é fantasia ou realidade. Quanto mais cuidadoso, sistemático e sem preconceitos for nosso raciocínio, nossas idéias serão mais bem aceitas e com menos inferências.

A inteligência flui em cada pessoa de acordo com sua postura e conduta, de modo que as melhores soluções nascem instantaneamente nos momentos de calma, de ponderação, de reflexão... como se a inteligência estivesse solta no ar e nós fossemos apenas o espaço onde ela devesse ser instalada, sendo a nossa postura apenas uma antena de captação de uma determinada freqüência.

Toda actuação de uma pessoa é ela própria, colocar ordem em armários, gavetas, porta-luvas do carro... é saber pensar com ordem, tudo que reflecte você é você; sua mesa de trabalho, sua gaveta... é você. Para ter sucesso, é necessário organizar-se, saber colocar cada coisa em seu devido lugar. A inteligência funciona através de uma sequência lógica de ordem e de forma objectiva, fazendo com que precisamos de menor esforço para grandes realizações. Para chegar a um objectivo, não precisamos dar voltas ou fazer colocações persuasivas deixando dúvidas no ar, basta raciocinar com a ordem dos factos e de forma lógica, com isso chegamos ao sucesso naturalmente, sem esforço desnecessário. Organizar-se é harmonizar-se com a vida.

A inteligência é tudo aquilo que nós escolhemos para ficar em nossa mente. Seja a ordem ou a desordem, a riqueza ou a pobreza, do necessário ao tudo ou nada... Cada um escolhe o quanto quer ser inteligente e o quanto quer reflectir sua imagem perante o sucesso.

A inteligência coloca cada pessoa na dimensão que está apta a viver, seja numa dimensão racional ou de consciência.

A Dimensão do Racional é alcançada através do pensamento, e tem como mecanismo uma memória que acciona um raciocínio e leva a uma inteligência. É a dimensão onde se alojam vibrações primárias como comer, dormir, evacuar, relacionar-se com pessoas a sua volta...
É uma dimensão desprovida de consciência e abriga o homem primitivo e as crianças. Identificam o corpo físico, não dominam todos os seus instintos, sua emotividade é escassa. É muito comum encontrar um homem primitivo na cidade ou em grandes centros, geralmente denominados de serviçais ou ignorantes, como também entre os silvícolas e diferem-se das crianças apenas por seu estado adulto.

A Dimensão da Consciência. Você lembra de um velhinho chamado Gepeto, que talhou um marionete de nome Pinóquio e pediu para uma Fada dar-lhe vida sem que precisasse dos cordões para se movimentar? A primeira dimensão da história foi representada pelo o boneco, a segunda pela varinha mágica da fada madrinha e a terceira por um grilo falante que fazia o papel de sua consciência e era responsável pela inteligência, sabedoria e intuição do boneco. A fada, que dotada de grande sabedoria e dons paranormais, deu uma dica ao seu protegido, quando adquirisse consciência própria, ou seja, alcançasse essa Dimensão por si, seria um Menino de Verdade. Usando seu livre arbítrio. Pinóquio, fez tudo ao contrário, ao invés de ouvir os sábios conselhos do grilo, seguiu os conselhos de uma raposa, e foi levado ao ócio, e as conseqüências foram opostas ao seu objetivo, seduzido e iludido por uma vida mais fácil e sem responsabilidades aproximou-se da ignorância, da mentira e do insucesso sendo escravizado facilmente pelos outros.

Assim é a história de cada um. A confecção do boneco é a gestação, a varinha de condão é o despertar a vida, o grilo falante representa os bons conselhos que nós recebemos freqüentemente na vida, a raposa é a figura do errado, do atalho, da malandragem, dos falsos amigos, dos invejosos, do caminho que nada acrescenta de positivo. Essa história acaba quando Gepeto, na tentativa de recuperar a conduta de Pinóquio, é engolido por uma baleia. Quando todos julgavam que esta história teria um final infeliz e que tudo estaria perdido, Pinóquio por um momento de lucidez e consciência, surpreende a todos, salvando Gepeto bravamente de um destino cruel, mudando assim sua conduta ao receber a oportunidade do despertar e da coragem de enfrentar qualquer problema sem importar o seu tamanho. E assim, é reconhecido por todos, inclusive por sua fada madrinha que o torna um menino de verdade, livre da escravidão e com consciência própria. Tudo bem, isso não serve como base científica, mas serve como ilustração, e mostra que tudo esteve à frente de nossos olhos e faltou consciência para captar o subtil. O universo é formado de dualidade, a inteligência necessita da ignorância para transformá-la em sabedoria.

É a necessidade que empurra o homem às descobertas, à tecnologia, ao progresso assim como o feio existe para promover o bonito, o mal para cativarmos o bem, o negativo para buscarmos o positivo e material para conscientizar-nos do espiritual, contestando e aprendendo.

O objetivo sempre foi despertar nos homens aprendizagem, determinação e astúcia para chegar a prosperidade. Se toda vez que pegar numa cebola decidir passar nos olhos ao invés de temperar a comida, a culpa é sua e não de quem criou a cebola. É a inteligência que nos mostra para que serve a cebola, e a burrice define quem a passe pela segunda vez nos olhos.

Para conhecer a dualidade do Universo não é preciso repetir a experiência da cebola com uma pimenta ou um limão, basta usar a inteligência, a intuição e o discernimento: - isso não serve para isto, então o coloco na salada ou simplesmente de lado. Quando a vida lhe oferecer um limão só aceite se for para fazer uma limonada, e não para reclamar que a vida lhe deu uma fruta ácida.

As nossas atitudes e pensamentos são as responsáveis pelo nosso destino. Por isso que dizemos que somos os autores, ou que colhemos o que plantamos. Temos o livre arbítrio de semear só que a colheita será obrigatória. Não adianta passar cebola nos olhos para culpar a natureza por ter criado a cebola; ela é um tempero. Não adianta culpar os outros ou por ter te induzido a isso ou aquilo porque você tem consciência, inteligência e sabedoria. Culpar alguém é cómodo e vicia.


Texto de Sérgio Luiz Giannico
HOMENS E MULHERES:
CÉREBROS DIFERENTES?
MENTES DIFERENTES?

Todos já pensámos nisto: há ou não diferenças no cérebro e na mente dos homens e das mulheres devidas a factores neurobiológicos? Quais as influências que o meio, a cultura e a educação exercem nas diferenças de estilo entre os sexos?

As diferenças de género (masculino/feminino) já se manifestam desde alguns meses após o nascimento, quando a influência social ainda é pequena. Por exemplo, Anne Moir e David Jessel, em seu controverso e admirável livro "Brain Sex", oferecem explicações para essas diferenças precoces nas crianças:

"Essas diferenças discerníveis e mensuráveis do comportamento são programadas muito antes que as influências externas tenham a oportunidade de se manifestar. Elas reflectem uma diferença básica no cérebro do recém-nascido que já conhecemos: a maior eficiência dos homens quanto a habilidades espaciais, a maior habilidade das mulheres quanto à fala."

Agora, após muitas pesquisas cuidadosas e bem controladas, onde o meio-ambiente e a aprendizagem social foram isoladas, os cientistas descobriram que existem uma grande variedade de diferenças neurofisiológicas e anatómicas entre os cérebros dos homens e das mulheres.

O estudo das diferenças cerebrais

Existem hoje uma variedade de métodos neurocientíficos sofisticados que permitem aos cientistas testar diferenças minúsculas entre quaisquer grupos de cérebros. Existem muitas abordagens tornadas possíveis pelo avanço do processamento computadorizado de imagens, como por exemplo, a tomografia (que mostra imagens detalhadas de "fatias" do cérebro):

Medidas volumétricas de regiões cerebrais
Define-se uma região e o computador, a partir de uma série de fatias, calcula a área daquela região cerebral, e então realiza cálculos de integralização de várias área para calcular seu volume aproximado. A análise estatística de várias amostras pertencentes a cérebros diferentes permite descobrir se existem (ou não) diferenças em volume, espessura, etc.

Imagens funcionais
Graças ao uso de aparelhos sofisticados tais como o tomógrafo de emissão de pósitrons (o PET) ou o fMRI (Imagens de Ressonância Magnética funcional) ou o Eletroencefalógrafo de Topografia do Cérebro, os pesquisadores são capazes de visualizar em duas ou três dimensões, quais as partes do cérebro são funcionalmente ativadas quando uma tarefa é executada pelos indivíduos testados.

Exame post-mortem
Os cérebros de falecidos são retirados e fatiados. As modernas técnicas de análise de imagem são usadas para detectar diferenças quantitativas tais como o número e a forma de neurónio e outras células cerebrias, a área, espessura e volume das diversas áreas do cérebro etc.

Os cientistas que trabalham na Universidade Johns Hopkins University publicaram recentemente na revista especializada "Cerebral Cortex" a descoberta de que existe uma região no córtex chamado de lóbulo infero-parietal (LIP) que é significativamente maior nos homens do que nas mulheres. Essa área é bilateral e localizada logo acima do nível das orelhas (córtex parietal) .

Além disso, os cientistas da Universidade Johns Hopkins observaram que, nos homens, o lado esquerdo do LIP é maior do que no lado direito. Nas mulheres, a assimetria é exactamente o contrário, embora as diferenças entre os lados esquerdo e direito não sejam tão importantes quanto nos homens.
Esta é a mesma área que foi demonstrada ser maior no cérebro de Albert Einstein, assim como de outros físicos e matemáticos. Portanto, parece que o tamanho do LIP está correlacionado com as habilidades mentais em matemática. Os neurologistas suspeitavam da existência de diferenças morfológicas do cérebro desde a época da frenologia (embora esta tenha sido provada ser uma abordagem errada), no século 19. O fim do século 20 testemunha as primeiras provas científicas disso.

O estudo, dirigido pelo Dr. Godfrey Pearlson, foi realizado graças a análise de varreduras de imagens de ressonância magnética de 15 homens e mulheres. Os volumes foram calculados através de um pacote de software desenvolvido pelo Dr. Patrick Barta, um psiquiatra da Universidade Johns Hopkins.
Mesmo depois de descartar as diferenças naturais que existem no volume total cerebral entre os homens e as mulheres, ainda permanecia uma diferença de 5% entre os volumes de LIP (o cérebro dos homens é, em média, aproximadamente 10% maior do que as mulheres, mas isso é deivdo ao maior tamanho corporal dos homens: um maior número de células musculares implica em um maior número de neurônios para controlá-las).

Em geral, o LIP permite que o cérebro processe informações a partir dos órgãos dos sentidos e ajude na atenção e percepção seletivas (por exemplo, as mulheres são mais capazes de se concentrar em um estímulo específico, como por exemplo, o choro do bebé à noite).
Os estudos têm relacionado o LIP direito à memória envolvida na compreensão e manipulação das relações espaciais e à capacidade de estabelecer relações entre as partes do corpo. Ele está também relacionado com a percepção de nossos próprios sentimentos ou emoções. O LIP esquerdo está implicado na percepção do tempo e do espaço e na capacidade de rotação mental de figuras tridimensionais (como por exemplo no famoso jogo de Tetris)

Um estudo anterior do mesmo grupo dirigido pelo Dr. Godfrey Pearlson demonstrou que duas áreas nos lobos frontais e temporais relacionados com a linguagem (conhecidos como áreas de Broca e Wernicke, em homenagem a seus descobridores) são significamente maiores nas mulheres, fornecendo assim um motivo biológico para a notória superioridade mental das mulheres relacionada à linguagem.
Utilizando imagens de ressonância magnética, os cientistas mediram os volumes de matéria cinzenta em diferentes regiões corticais de 17 mulheres e 43 homens. As mulheres apresentavam um volume 23% maior (na área de Broca, no córtex prefrontal dorsolateral) e 13% maior (na área de Wernicke, no córtex temporal superior) do que os homens.

Esses resultado foram corroborados mais tarde por outro grupo de pesquisa da Faculade de Distúrbios da Comunicação da Universidade de Sydney, Austrália, que foi capaz de provar essas diferenças anatômicas nas áreas de Wernicke e de Broca. O volume da área de Wernicke era 18% maior nas mulheres, comparado aos homens, e o volume cortical da área de Broca era 10% maior em mulheres do que nos homens.

Por outro lado, evidência adicionais são obtidas a partir de pesquisa que mostra que o corpus callosum, (corpo caloso) uma grande massa de fibras nervosas que liga ambos os hemisférios cerebrais, é maior nas mulheres do que nos homens, embora essa descoberta tenha sido contestada recentemente.

Numa outra pesquisa, um grupo da Universidade de University of Cincinnati, nos Eatados Unidos, Canada, apresentou evidência morfológicas de que enquanto os homens têm mais neurónios no córtex cerebral, as mulheres tem um neuropil mais desenvolvido - isto é, o espaço entre os corpos celulares que contém as sinapses, os dendritos e os axônios, e permite a comunicação entre os neurónios.
De acordo com a Dra. Gabrielle de Courten-Myers, essa pesquisa pode explicar porque as mulheres são mais propensas a demência ( devido à doença de Alzheimer, por exemplo) do que os homens, porque embora ambos percam o mesmo número de neurónios por causa da doença, "nos homens, a reserva funcional pode ser maior, pois existe um maior número de células nervosas, o que poderia prevenir parte das perdas funcionais."

Outros pesquisadores, dirigidos pelo Dr. Bennett A. Shaywitz, um professor de Pediatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Yale, descobriram que o cérebro das mulheres processa a linguagem verbal simultaneamente nos dois lados (ou hemisférios) do cérebro frontal, enquanto que os homens tendem a processá-la apenas no hemisfério esquerdo. Eles realizaram imagens de tomografia por ressonância magnética planar funcional de 38 cérebros de indivíduos dextros (19 homens e 19 mulheres). A diferença foi demonstrada em um teste em que os sujeitos deviam ler uma lista de palavras sem sentido e encontram suas rimas.
É curioso observar que os orientais que usam idiomas escritos baseados em figuras (isto é, os ideogramas) tendem também a utilizar ambos os hemisférios cerebrais, independentemente do gênero.

Embora a maioria dos estudos anatómicos e funcionais realizados até agora tenham se concentrado no córtex cerebral, que é responsável pelas funções cognitivas e intelectuais superiores do cérebro, outros pesquisadores como o Dr. Simon LeVay, têm demonstrado que existem diferenças de gênero em partes mais primitivas do cérebro, como por exemplo o hipotálamo, onde a maioria das funções básicas da vida são controladas, incluindo o controle hormonal através da glândula pituitária.
LeVay descobriu que o volume de um núcleo específico do hipotálamo ( terceiro grupo de célulo no núcleo intersticial do hipotálamo inferior) é duas vezes maior em homens heterossexuais do que nas mulheres e nos homossexuais, provocando um debate caloroso sobre a possível existência de uma base biológica da homossexualidade . O Dr. LeVay escreveu um interessante livro sobre as diferenças do cérebro em função do sexo, entitulado "The Sexual Brain".

Evolução versus Ambiente

Segundo a Society for Neuroscience, a maior organização profissional da área, a evolução é que confere sentido a isso: "Em épocas muito antigas, cada sexo tinha uma papel muito definido que ajuda a assegurar a sobrevivência da espécie. Os homem da caverna caçavam. As mulheres da caverna recolhiam comida perto de casa e cuidavam das crianças. As áreas do cérebro podem ter sido desenvolvidas para permitir que cada sexo realizasse suas tarefas".
O Prof. David Geary, da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, um pesquisador do campo das diferenças de gênero, pensa que "em termos evolutivos, o desenvolvimento de habilidades navegacionais pode ter tornado os homens mais capacitados para o papel de caçador, enquanto que o desenvolvimento pelas mulheres de preferências por marcos espaciais pode ter capacitando-as para cumprir suas tarefas de colectoras de alimento perto de casa."
A vantagem das mulheres relativa às habilidades verbais também pode fazer sentido em termos evolutivos. Enquanto que os homens tem força corporal para competir com outros homens, as mulheres usam a linguagem para conseguir vantagens sociais, através da argumentação e persuasão, afirma Geary.

A autora Deborah Blum, que escreveu "Sex on the Brain: The Biological Differences Between Men and Women", transmitiu as tendências actuais quanto ao uso de motivos evolutivos para explicar vários dos nossos comportamentos.
Ela afirma: "O enjôo matinal, por exemplo, que faz com que algumas mulheres afastem-se de cheiros e sabores fortes, pode ter protegido, em tempos idos, os fetos no útero contra subtâncias tóxicas. A infidelidade é uma maneira pela qual os homens asseguram a imortalidade genética. É interessante notar que, quando mudamos deliberadamente nosso comportamento de papel social - nossas hormonas e até mesmo os cérebros respondem transformando-se também."

Durante o desenvolvimento do embrião no útero, as hormonas circulantes tem um papel muito importante na diferenciação sexual do cérebro. A presença de andrógenos no início da vida, produzem um cérebro "masculino". Ao contrário, acredita-se que o cérebro "feminino" se desenvolva por um mecanismo de ausência hormonal, a falta de andrógeno. Mas, as descobertas recentes demonstraram que as hormonas ovarianos também desempenham um papel fundamental na diferenciação sexual.

Uma das evidências mais convincentes do papel das hormonas, tem sido demonstrada graças ao estudo de meninas expostas a elevados níveis de testosterona no período da gravidez, pois suas mães tinham hiperplasia adrenal congênita. Essas meninas parecem ter uma melhor consciência espacial do que outras meninas e apresentam maior tendência a mostrar, quando criança, um comportamento turbulento e agressivo, muito parecido com o dos meninos.

Factos e Preconceitos

As diferenças entre sexos faz com que um deles seja superior? "Não", afirma o Dr. Pearlson. "Afirmar isso signfica dizer que os homens são automaticamente melhores em algumas coisas do que as mulheres é uma atitude simplista. É fácil encontrar mulheres que são extraordinárias em matemática e física e homens que são excelentes em habilidades de linguagem. Somente quando examinamos uma população muito grande e investigamos tendências pequenas porém significativas podemos ver as generalizações. Existem muitas excepções, mas há também uma pitada de verdade, revelada pela estrutura cerebral, que acreditamos estar subjacente a algumas das maneiras pelas quais as pessoas caracterizam os sexos."

O Dr. Courten-Myers acrescenta: "O reconhecimento de maneiras - específicas ao género - de pensar e sentir, tornadas ainda mais críveis dadas essas diferenças bem estabelecidas, poderia ser benéfico para a melhoria de relações interpessoais. Porém, a interpretação dos dados também pode trazer abuso e prejuízo se qualquer um dos género tentar construir evidências para a superioridade do homem ou da mulher baseadas nessas descobertas."

A conclusão é que as neurociências realizaram grandes avanços na década de 1990 quanto a descoberta de diferenças concretas e cientificamente comprovadas entre os cérebros dos homens e das mulheres. Embora esse conhecimento poderia teoricamente ser usado para justifica a misoginia e preconceito contra as mulheres, felizmente isso não tem acontecido.
Na verdade, esse novo conhecimento pode ajudar os médicos e cientistas a descobrir novas maneiras de explorar as diferenças cerebrais para o tratamento de doenças, para personalizar a ação de medicamentos, para utilizar diferentes procedimentos cirúrgicos, etc. Afinal de contas, os homens e mulheres diferem apenas quanto ao cromossa Y, mas isso tem um impacto real sobre tantas coisas, inclusive a dor, as hormonas, etc.

In Cérebro & Mente. Texto de Renato M.E. Sabbatini, doutor em neurofisiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Brasil). Realizou pesquisas como cientista convidado e para o seu pós-doutorado no Instituto Max Planck de Neurobiologia em Munique, Alemanha. Actualmente é coordenador de Informática Médica e professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. Dentre suas inúmeras atividades, destaca-se também a de editor associado e presidente do conselho editorial da revista on-line Cérebro & Mente.

HOMENS versus MULHERES

Instituto da Inteligência concluiu um estudo sobre as diferenças cognitivas e comportamentais observadas em testes entre indivíduos do sexo masculino e indivíduos do sexo feminino. Para o efeito, cruzaram-se os dados de testes de cerca de 3 mil pessoas, maioritariamente crianças e adolescentes.

Este estudo pretendeu confirmar uma série de pesquisas que têm vindo a ser desenvolvidas em países como o Canada, os Estados Unidos e a Austrália sobre as diferenças cognitivas e comportamentais entre homens e mulheres que podem ser atribuídas a modos de funcionamento distintos do cérebro.

A tendência geral dos psicólogos é o de não considerarem essas diferenças por lhes parecerem irrelevantes, preferindo acreditar que elas resultam de influências culturais, educacionais e sociais. Mas se é verdade que a influência do meio tem um forte peso na modelagem de atitudes e comportamentos, também não é menos verdadeiro que os cérebros dos homens e das mulheres apresentam algumas diferenças anatómicas, morfológicas e funcionais que explicam as formas de perceber, tratar a informação, memorizar e agir entre os dois sexos. Essas diferenças observam-se desde muito cedo, esbatem-se um pouco a partir da adolescência e, de resto, mantêm-se até ao fim da vida.

O Instituto da Inteligência, onde se realizam, anualmente, milhares de exames cognitivos e de personalidade a indivíduos de todas as idades e de ambos os sexos avançou há vários anos com um estudo comparativo entre as diferenças de prestação em testes de percepção, memória, inteligência e personalidade tendo confirmado as conclusões dos estudos que noutros centros de investigação se têm feito sobre esta matéria.

Principais diferenças observadas:
HOMENS
São melhores do que as mulheres, em geral, nas seguintes actividades e domínios:- raciocínio matemático- visualização tridimensional- inteligência visuo-espacial- actividades físicas prolongadas- visão de detalhes- rapidez de dedução- pensamento abstracto e filosófico- memória espacial- empreendedorismo.

MULHERES
São melhores do que os homens, em geral, em:- operações de cálculo- fluência e habilidades verbais- concentração (são menos sujeitas a perturbações de hiperactividade com défice de atenção e a perturbações de impulsividade do que os homens)- orientação nocturna- pensamento indutivo- memória de curto prazo- persistência em tarefas complexas- memória verbal- discriminação de cores- rapidez perceptiva- destreza manual- leitura de expressões faciais das emoções.

Principais zonas do cérebro onde existem algumas diferenças que podem serresponsáveis pelas diferenças atrás citadas:
- hemisfério esquerdo- hemisfério direito- área de Broca (envolvida na linguagem)- amígdala cerebral- gânglios basais- corpo caloso- lobos frontais- lobo parietal- lobo temporal- hipocampo- tálamo.

Que interesse prático existe em conhecermos estas diferenças? Muitas. Poderemos ajudar melhor as escolas a definirem estratégias que possam facilitar as aprendizagens e, ao mesmo tempo, os pais a perceberem melhor por que rapazes e raparigas revelam atitudes e comportamentos diferentes em certas situações (para cada 5 rapazes hiperactivos há apenas uma rapariga, por exemplo).

Também ao nível do recrutamento e da gestão de recursos humanos, as empresas podem melhorar o empreendedorismo, a criatividade e a produtividade se conhecerem melhor (mais cientificamente) cada um dos sexos e assim promoverem melhor ambiente de trabalho e melhores resultados para todas as partes interessadas (colaboradores e gestores).

O NOSSO "TERCEIRO OLHO "

Por conta de sua forma semelhante a uma pinha, do latim pinea (pronuncia-se /pínea/), esta glândula foi assim denominada, sendo também chamada de epífise (do grego epiphysis , de epi "sobre" e physis , "crescimento", "formado na extremidade", pois é um corpúsculo oval situado no cérebro, por cima e atrás das camadas ópticas).
As glândulas hipófise e pineal são místicas por excelência. "Místicas" no sentido de misteriosas, pois a ciência ainda conhece pouco sobre elas, principalmente a pineal, e também por serem cultuadas por algumas ordens, seitas, filosofias etc.
A biologia tem muitas dúvidas sobre essas glândulas, mas existem estudiosos que afirmam pertencerem elas a uma classe de órgãos que permanecem estacionários e latentes.
Há quem sustente que, noutras épocas, quando o ser humano estava em contacto com os mundos internos , esses órgãos eram os meios de ingresso a eles e tornarão a servir a esse propósito em seu estágio ulterior.
A pineal é o órgão físico da visão etérea e astral, como muitos afirmam. Ela está situada no lado occipital, por cima e atrás da região da visão comum.
Na Índia, é o terceiro olho, o olho de Shiva (o terceiro membro da trindade do hinduísmo: Brahma, Vishnu, Shiva ou Siva).
Ao longo de estudos, procurou-se considerar a glândula pineal como simples remanescente de um olho ancestral, isso porque no lagarto ocelado - que tem ocelos (olhinhos) - existe uma vesícula fechada, de parede cristalina anterior e uma retina (pequena rede de nervos), formado por bastonetes (tipos de células em forma de bastão que fazem parte do sistema celular dos olhos) cercado de pigmentos em conexão com o nervo epifisário da pineal. Essa vesícula está situada em cima da cabeça do animal, embaixo da pele desprovida de pigmento e dentro de um orifício craniano. Esse olho ímpar apresenta-se mais ou menos degenerado nos demais lagartos. Não nos esqueçamos que a Teoria da Evolução nos considera um réptil que foi desenvolvendo cérebros sobrepostos (Paul MacLean, A Teoria do Cérebro Triúnico).
René Descartes (1596-1650) (em latim Cartesius, daí o adjetivo "cartesiano"), filósofo, místico e fundador da moderna matemática, considerava a pineal como a sede da alma racional . O termo "racional" deriva-se do latim ratio (pronuncia-se /rácio/), palavra que significa "comparação". Para este filósofo, a pineal era a glândula do saber, do conhecer.
Segundo ainda esse filósofo francês, a glândula pineal "transforma a informação recebida em humores que passam por tubos para influenciar as actividades do corpo".
É preciso notar que durante muito tempo predominou na medicina na Antiguidade, a doutrina do humorismo . Pensava-se que a disposição da pessoa dependia da natureza dos humores orgânicos (sangue, linfa, pituíta e bílis); assim, por exemplo, da secreção da bílis dependia o bom ou mau humor. Por exemplo, "atrabiliário", que significa "melancólico", "colérico", "violento" vem de atra bilis , "bílis negra", humor que se supunha ser secretado pelos coléricos. "Melancolia" vem do grego melagcholia , "negra bílis", pelo latim melancholia .
O sistema de Hipócrates, o mais ilustre médico da Antiguidade (aproximadamente 460-377 a.C.), baseia-se na alteração dos humores, que também era o sistema de Galeno (131 - cerca de 201), outro famoso médico da Grécia antiga, considerado por muitos o pai da neurofisiologia. O célebre provérbio: "Hipócrates diz sim, mas Galeno diz não", não significa antagonismo entre o sistema dos dois médicos. é uma maneira jocosa a respeito das contradições das opiniões médicas quando elas ocorrem.
Do que foi exposto, deduzimos que a pineal representa um portal que permite ao Eu Sápico exercer influência bastante definida sobre o Eu Físico.
À luz dos conhecimentos científicos actuais, a pineal é frequentemente chamada de "reguladora das reguladoras", governando muitas actividades do hipotálamo e da hipófise.
A pineal é composta de células perceptoras cujo grau de intensidade ainda não sabemos. A luz, recebida por intermédio dos olhos e do corpo todo, influencia a função da pineal e, por isso, regula o ciclo vigília /sono.
Hoje em dia, fala-se e usa-se muito a hormóna melatonina para regular o ciclo vigília /sono. Esta hormona da pineal é produzido durante a noite para o sono e cessa com o sol, para despertar, falando-se de maneira simples.
O excesso de melatonina parece gerar depressão e aí estaria a grande incidência de depressão nos países em que o sol aparece com pouca frequência.
Directa ou indirectamente, a pineal funciona, então, como um olho para a luz e não será ela "os olhos da mente"?


Professor Luiz Machado, Ph.D.Cientista, Fundador e Mentor da Emotologia
Reservas quanto ao pensamento positivo!

Em livros de auto-ajuda é muito comum a pregação do pensamento positivo como forma de resolver as dificuldades pessoais; todavia, cientificamente, precisamos deixar claro que o chamado pensamento positivo pode falhar.

Nós usamos dois recursos para pensar: com palavras ou com imagens mentais. Einstein, por exemplo, declarou que pensava com imagens que ele produzia e reproduzia voluntariamente. O pensamento com palavras pode não corresponder às imagens mentais que estamos produzindo no momento do pensamento.

Nós sabemos que são as imagens, e não as palavras, que mexem com nosso sistema glandular. Por exemplo, se falarmos em passar as unhas sobre uma lixa, se produzirmos a imagem mental desse acto, experimentaremos uma sensação de aversão, podendo até sentir arrepios. Outro exemplo: se imaginarmos estar chupando um limão, nossa boca ficará cheia de saliva, mas, se falarmos no limão sem criarmos a imagem mental correspondente, não acontecerá nada. Veja bem, a força da imagem mexeu com o sistema glandular a ponto de as glândulas salivares produzirem mais saliva.

Quisemos demonstrar acima que são as imagens mentais que têm força e não as palavras que não estejam acompanhadas das imagens daquilo que elas representam.

Nós, seres humanos, toda vez que falamos em alguma coisa, temos a tendência de imaginar, de criar automaticamente as imagens contrárias dessa coisa; assim, nós podemos pensar positivamente e, ao mesmo tempo, criar imagens mentais contrárias do que pensamos com palavras.

Podemos dizer que as palavras são do hemisfério esquerdo do cérebro e as imagens são do Sistema de Autopreservação e Preservação da Espécie (SAPE) / hemisfério direito. Toda vez que houver conflito entre as imagens mentais e as palavras, as imagens ganham. Ora, uma pessoa pode pensar positivamente e, até sem sentir, criar imagens contrárias do que pensou; por isso, é preciso cuidado com o pensamento positivo.

As pessoas que dizem ter pensado sempre positivamente e tudo ter dado errado para elas é porque pensaram positivamente com palavras e criaram as imagens mentais contrárias do que pensaram e são as imagens mentais, com forte carga de emoções, que conseguem os resultados. Você consegue aquilo de que cria as imagens mentais com emoção!

Texto do Professor Luiz Machado, Ph.D.Cientista Fundador e Mentor da Emotologia, Escola de Superinteligência (Brasil).

O UNIVERSO É UM COMPUTADOR?

"O tabuleiro de xadrez é o mundo; as peças são os fenômenos do Universo; as regras do jogo são o que chamamos de Leis da Natureza. O jogador no outro lado está oculto a nós".
Thomas H. Huxley.

E se tudo o que você vê for apenas uma simulação de computador? O filme Matrix provoca a idéia, com a ajuda de surpreendentes efeitos visuais – criados justamente por computadores, e que parecem incrivelmente reais. Na produção da sequência, Matrix Reloaded, o supervisor de efeitos especiais John Gaeta comentou que as imagens geradas por sua equipe são tão impressionantes que “talvez nossa tecnologia se torne a verdadeira Matrix, e nós tenhamos inadvertidamente liberado o frasco de coisa verde no planeta”. Mas o que deve intrigar mesmo é que existem propostas científicas sérias de que todo o Universo, incluindo nós mesmos, seja em essência o resultado de um grande computador.

Já em fins dos anos 60, o alemão Konrad Zuse sugeria que todo o Universo estaria tendo lugar nas entranhas lógicas de um computador. Zuse não era um maluco qualquer: ele construiu os primeiros computadores eletromecânicos programáveis do mundo, desenvolveu a primeira linguagem de computador de alto-nível, e, entre tantas outras coisas, criou o primeiro programa de xadrez em um computador.

O que não deixa de ser curioso, dada a metáfora do naturalista do século XIX Thomas Huxley que introduz este artigo. A sugestão de Zuse fazia referência ao tipo de computador em particular que estaria ‘passando’ o nosso Universo, denominado autômato celular. O conceito deste tipo de computador foi criado por outro grande pioneiro, o matemático húngaro John von Neumann, nos anos 40 – a propósito, como uma base da idéia de sistemas lógicos que fossem auto-reprodutores e que imitassem assim a própria vida.

Para entender basicamente o que são autômatos celulares, e eles são um tanto diferentes do computador a que estamos acostumados, começamos com a metáfora de xadrez de Huxley. Deite fora as peças, e fique apenas com o tabuleiro. Cada casa do tabuleiro é uma célula, e cada uma destas células pode ser branca ou preta. Agora, a cor destas células não depende mais do padrão monótono e fixo do xadrez, mas pode mudar de acordo com regras simples implementadas dentro de cada uma delas. Estas regras são executadas em todas as células simultaneamente, toda vez que um relógio bate. O tabuleiro é agora um autômato celular. Cada célula deste autômato pode, por exemplo, ter o seguinte conjunto de regras: se houver três células imediatamente vizinhas brancas, ela deve ficar ou continuar branca. Se houver duas células vizinhas brancas, sua cor não deve mudar. Se houver menos de duas ou mais de três vizinhas brancas, deve ficar ou continuar preta. E isso é tudo.

Se você leu essas regras, o que deve ter sido um tanto chato, pelo menos deve ter percebido que elas são muito simples. Mas a partir delas, executadas em cada célula de nosso autômato, uma ordem incrível de complexidade pode surgir. Isso foi demonstrado de forma bela por um programa de computador que se tornou uma febre nos anos 70: o Game of Life de John Conway.

Usando exatamente as regras descritas acima, cada célula branca estava ‘viva’, e as pretas, ‘mortas’. Numa época que hoje já parece remota, onde o tempo dos computadores era caríssimo, horas e horas foram gastas por pesquisadores fascinados observando como uma ordem inesperada surgia: quadrados piscando, triângulos andando e flechas zunindo, tudo em padrões complexos mudando, a cada batida do relógio.

E resulta que mesmo um autômato celular de regras simples como o Game of Life de Conway pode funcionar como um computador universal: isto é, representando informação como células brancas ou pretas, e dispondo diversas outras células de forma determinada, este simples jogo de computador pode em tese simular qualquer computador imaginável, dando seus resultados como um determinado padrão de células.

A capacidade de computação universal de autômatos celulares simples nos leva de volta às especulações de que o Universo seja um computador. Essa especulação fantástica deriva essencialmente de uma suposição: a de que o Universo seja discreto, em outras palavras, que seja em essência digital.

O mundo pode parecer contínuo, analógico em muitos aspectos: basta olhar para o arco-íris que parece variar suas cores continuamente. Mas apenas parece: a luz é composta de partículas discretas chamadas fótons.

No mundo do infinitamente pequeno, regido pelas leis da física quântica, o infinitamente pequeno pode simplesmente não existir: as ações se dariam em pacotes, de forma discreta, em quanta. Até mesmo o tempo e o espaço não seriam contínuos: existiria uma quantidade mínima de tempo e espaço passível de ser medida, e possivelmente, de acontecer em nosso Universo. Num Universo em que tempo e espaço ocorrem aos pulsos é justamente o universo dos autômatos celulares.

O padrão de pigmentação em conchas pode ser reproduzido por autômatos celulares com regras definidas. Para Wolfram, isto evidencia processos de computação já ocorrendo na natureza. “Nossa tese é de que algum modelo de autômato celular pode, em efeito, ser programado para funcionar como a Física [do Universo]”, diz Edward Fredkin, da Universidade de Boston. Fredkin já foi director do laboratório de ciência de computação do M.I.T., e tem sido um dos mais notáveis promotores do Universo como um computador. Sua ‘Mecânica Digital’ explicaria mesmo os mais incompreensíveis aspectos da mecânica quântica.

Contudo, o mais novo e ardoroso defensor desta abordagem é Stephen Wolfram, criador de um dos mais usados softwares de computação técnica do mundo. Wolfram ficou milionário, e dedicou os últimos anos a uma busca obstinada – e em grande parte obscura – para demonstrar que autômatos celulares podem responder por toda a complexidade que enxergamos no mundo.No ano passado, Wolfram finalmente lançou o livro A New Kind of Science (Um Novo Tipo de Ciência), um tomo volumoso replecto de gravuras, complementado por programas de computador de demonstração. Tornou-se brevemente um best-seller, um feito notável considerando as mais de 1.000 páginas e o tema hermético, mas não agradou muito à comunidade científica. Wolfram é acusado de não reconhecer plenamente o trabalho de outros cientistas nas teorias e idéias que expõe, de não apresentar idéias realmente novas, além de tentar levar todas elas longe demais sem a base necessária.

Não é novo, e não é ciência”, escreveu o crítico David Drysdale. O livro de Wolfram e, é claro, o filme Matrix, divulgam cada vez mais a idéia de que o Universo seja um computador. Por trás dessa divulgação ampla, os seus criadores, de Zuse a Fredkin, ofereceram uma hipótese séria e tantalizante. Talvez, perguntar ‘o que é Matrix?’ seja no final das contas a mesma pergunta fundamental feita pela ciência: o que é o Universo?

Edward Fredkin está procurando pelo carro no estacionamento, quando seu filho diz: “Eu sei exatamente onde o carro está!”. Surpreso, ele pergunta “onde?”. Ao que ouve “O carro está no Universo”. Caso o Universo seja um computador funcionando em algum lugar, nós podemos estar igualmente certos de que onde quer seja, não é neste Universo: como Fredkin chama, o lugar onde nosso Universo estaria é o Outro. Podemos saber pouco sobre o Outro. Uma vez que contém algo que é responsável por nosso Universo, e como nosso Universo pode criar computadores universais, então o Outro é certamente capaz de produzir computadores universais. Além disso, se as leis físicas que conhecemos são resultado de regras em um autômato celular, podem existir muitas outras regras, muitos outros universos. E todos eles podem estar contidos no Outro, que por sua vez pode ter leis físicas imponderáveis a nós. Estudar nosso Universo não diz muito mais do que isso sobre o Outro.

Entretanto, não resistimos imaginar por que ele estaria ‘passando’ o nosso Universo. Num de seus melhores contos, o escritor de ficção científica Isaac Asimov escreveu sobre “A Última Pergunta”: como evitar o destino de nosso Universo em expansão, a morte térmica. O ano é 2061, e como não poderia deixar de ser, a pergunta é feita a um computador. Depois de um breve silêncio, o computador informa: “Dados insuficientes para uma resposta”. E ao longo de centenas bilhões de anos, a humanidade se expande pelo Universo e se funde com seus computadores – sempre para descobrir que a última pergunta ainda não pode ser respondida. Ao fim, quando todo o Universo é englobado pelo Computador, quando o caos já reina, ele finalmente chega a uma resposta. Mas já não há ninguém para conhecê-la excepto ele mesmo. A resposta deve ser dada então por demonstração, e a entropia do Universo será revertida. E o Computador diz: “Que se faça a luz!”. E houve luz.

Ficção à parte, se nosso Universo é apenas um dentre muitos que podem ocorrer no Outro, talvez não exista um Criador, ou melhor, um Programador. Como nota Jürgen Schmidhuber, do Instituto Dalle Molle de Estudos em Inteligência Artificial na Suíça, em nosso Universo-computador uma xícara de chá não só seria resultado de cálculos, como estaria efetuando cálculos para existir. O que ela computa? Provavelmente nada muito interessante, mas se ela é um computador efetuando um cálculo qualquer, nosso próprio Universo poderia estar tendo lugar no Outro como algo tão desinteressante quanto uma xícara de chá é para nós.
Aos que ficarem desanimados com a idéia, podemos voltar à ficção científica. Em ‘O Mochileiro das Galáxias’, Douglas Adams conta que fomos criados para computar a resposta da Grande Questão da Vida, do Universo e Tudo. A resposta? 42.

Leia:
- Life32 - versão freeware para Windows(r) do Game of Life
- Cellular Automata - Uma excelente introdução a autômatos celulares
- The World According to Wolfram - Resenha do livro de Wolfram

Apesar do que possa parecer, este não é um plágio do artigo 'Matrix: A realidade é uma ilusão?' de Rafael Kenski, publicado em maio de 2003 na revista SuperInteressante. Todo este artigo foi escrito no começo de abril de 2003 para um outro projecto, mas teve que ser descartado justamente por causa da (realmente embasbacante) semelhança com o artigo publicado em Maio na revista SI. Não sei se implantes alienígenas em meu cérebro transmitiram este artigo para a mente de Kenski, provavelmente um alienígena reptiliano disfarçado entre nós.

Artigo de Kentaro Mori. Adaptado.

NASA INVESTIGA CÉREBRO NO ESPAÇO

Nas diferentes missões espaciais conduzidas pela NASA (organismo governamental norte-americano), têm sido estudadas as influências que o Espaço pode exercer directa e indirectamente no cérebro. Para o efeito têm sido sobretudo utilizados pequenos animais e os resultados não deixam de surpreender.

Um dos assessores científicos destes projectos é o Dr. Roberto Llinás que recentemente declarou à imprensa algumas das conclusões até hoje obtidas de estudos feitos em ratos de laboratório enviados para o Espaço.

O Dr. Llinás referiu, por exemplo, que a ausência de gravidade produz alterações irreversíveis no cérebro dos ratos mais jovens. Verificou-se, posteriormente, que os voos espaciais provocam modificações significativas no cortex cerebral das crias durante o seu desenvolvimento mas não se verificando o mesmo nos animais adultos (o cortex cerebral forma a superfície externa do cérebro sendo o lugar onde se localizam as funções superiores como a memória, a imaginação, o pensamento e a capacidade criativa).

Nos estudos realizados no hipotálamo dos ratinhos verificou-se um incremento de actividade no sistema de comunicação química entre o cérebro e o resto do organismo, "provavelmente como consequência do stress provocado pelos voos e pelas especiais condições de microgravidade dos mesmos" - adiantou o Dr. Llinás.

Os resultados são francamente importantes tendo em vista o futuro das missões de longa duração que impliquem a permanência de astronautas durante anos e o nascimento de crianças no Espaço.

Para já, o risco dessas crianças nascerem com problemas neurológicos severos é uma certeza. De facto, a gravidade terrestre é necessária para o pleno desenvolvimento do cérebro de qualquer animal. Fora da Terra, com a redução dessa gravidade, o cérebro dos fetos teria muito dificuldade desenvolver-se correctamente. A solução passará pela criação de gravidade nas naves e nas estações espaciais onde se queira que crianças e outros animais nasçam e se desenvolvam.

INTUIÇÃO

A intuição é um tema que tem sido objecto de muitas reflexões. Normalmente, as pessoas entendem a intuição como um "sexto sentido", uma forma singular de percepção e também de conhecimento.

Geralmente é definida como um conhecimento que surge espontaneamente, sem a intervenção consciente do raciocínio e da reflexão.

Na filosofia chinesa a intuição quer dizer "conhecimento directo" e que resulta de uma visão interior realizada não através dos olhos mas da contemplação.

Alguns especialistas atribuem a intuição a processos de pensamento muito rápidos. De acordo com esta teoria, várias pequenas insinuações podem ser rapidamente integradas, tornando possível conclusões sem qualquer acto intermediário aparente.

O pensamento pós-modernista da Nova Era entende que “enterrado no fundo de cada um de nós, existe uma consciência instintiva que nos proporciona o mais confiável guia para sabermos se nossas acções estão voltadas para o interesse comum da vida que existe no nosso planeta. Precisamos usar mais o bom senso que emana dos nossos corações”.

Actualmente, as ciências cognitivas revelam que o pensamento ocorre no segundo plano de nossas mentes. Estudos sobre processamento automático, memória implícita, funcionamento do cérebro direito, emoções instantâneas, comunicação não verbal e criatividade revelam a capacidade intuitiva.

O pensamento, a memória e o comportamento operam em dois níveis: o consciente/intencional e o inconsciente/automático. É uma forma de processamento duplo e simultâneo.

Segundo a psicoterapeuta Maria Clara Heise, "isso vem nos mostrar que temos dois tipos de mente: uma para a percepção imediata e outra para todo o resto!".

E acrescenta: "Quando nossos ancestrais encontravam um estranho na floresta tinham que decidir instantaneamente se era um amigo ou inimigo. Aqueles que faziam uma leitura rápida e acurada tinham mais chance de sobreviver e deixar descendentes, o que explica o porquê das pessoas hoje serem capazes de distinguir só com um olhar as expressões de raiva, tristeza, medo, prazer, etc. É graças a essa sensibilidade que nos conduz dos olhos para os centros de controle emocional do cérebro que reagimos de forma emocional, antes de termos tempo de fazer uma interpretação racional do que está acontecendo. Ou seja, primeiro sentimos, depois o cérebro interpreta".

Assim, uma explicação alternativa apresentada por Ellen Campbell e J.H.Brennan é a de que "a intuição é o resultado de uma capacidade especial, ou de uma afinidade para com o objecto considerado - algo quase semelhante a um dom psíquico" (*)

Habitualmente diz-se que as mulheres têm uma melhor intuição do que os homens. Alguns testes de personalidade mostram que os homens chegam a um score de 60% para a medida de “objectividade” (as decisões são tomadas baseadas na lógica) e as mulheres têm 90% para “sensibilidade” (as decisões são subjetivas, baseadas no que estão sentindo). Sem dúvida que a intuição faz parte do processo de tomada de decisão. "Mas parte dessa verdade é que tambem acontecem muitos erros" - diz a psicoterapeuta.

Seja como for, a intuição é mais poderosa do que imaginamos. Alimenta a nossa criatividade, o intelecto, a percepção do amor e ainda a espiritualidade.

A ciência nota que a intuição funciona para algumas áreas, mas requer restrições noutras e, por conseguinte, pode ser perigoso deixarmo-nos levar somente pela intuição, desprezando o bom senso e a lógica. "Por outro lado, com certeza seremos mais espertos, sensíveis e criativos se dermos ouvidos aos murmúrios que surgem da nossa mente obscura"- conclui a psicoterapeuta Maria Clara Heise.

(*) Campbell, E. & Brennan, J.H., "Dicionário da Mente, do Corpo e do Espírito", Editora Mandarim, S.Paulo, 1997).

DEPRESSÃO ALASTRA NO MUNDO

O alcoolismo, os transtornos bipolares e a esquizofrenia, além da depressão, representaram as principais doenças classificadas no grupo de distúrbios mentais. Dos dez principais males que afectam a população mundial de 15 a 44 anos, quatro estão associados a distúrbios mentais. As mulheres são as mais atingidas, mas não existe uma explicação científica definitiva para o fato.

Estima-se em 2 milhões o número de casos novos de depressão, no mundo, a cada ano. Cerca de 330 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de distúrbio mental e oito em cada dez doentes diagnosticados poderiam livrar-se do mal por meio de terapia medicamentosa, associada a atendimento psiquiátrico.

Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, em 1996, 120 milhões de pessoas sofriam de alcoolismo no mundo e 103 mil morreram por motivos relacionados à doença. Mesmo proibido para menores, a ingestão de álcool por adolescentes tem crescido nos últimos anos. Dentre os que consomem álcool cerca de 20 vezes por mês a taxa aumentou em dez anos de 8% para 12%. Calcula-se que a depressão acfeta 20% da população mundial.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que os distúrbios de humor, incluindo a depressão, devem acfetar cerca de 340 milhões de pessoas nos próximos anos. No ano 2020, segundo a OMS, a depressão será o principal distúrbio mental a atingir a população dos países em desenvolvimento.

NEUROSE E INSEGURANÇA

Segundo o psiquiatra Dr. G.J.Ballone, trata-se de uma reacção exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência vivida (Reacção Vivencial). Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida.

A pessoa É neurótica e não ESTÁ neurótica. Essa maneira de ser neurótica significa que a pessoa reage à vida através de reacções vivenciais não normais; seja no sentido dessas reacções serem desproporcionais, seja pelo facto de serem muito duradouras, seja pelo fato delas existirem mesmo que não exista uma causa vivencial aparente.


Segundo aquele especialista essa maneira exagerada de reagir leva a pessoa neurótica a adoptar uma série de comportamentos (evita lugares, faz atitudes para alívio da ansiedade... etc).

O neurótico, tem plena consciência do seu problema e, muitas vezes, sente-se impotente para modificá-lo.Exemplos:
1 - Diante de um compromisso social a pessoa neurótica reage com muita ansiedade, mais que a maioria das pessoas submetidas à mesma situação (desproporcional). Diante desse mesmo compromisso social a pessoa começa a ficar muito ansiosa uma semana antes (muito duradoura) ou, finalmente, a pessoa fica ansiosa só de imaginar que terá um compromisso social (sem causa aparente).
2 - Num determinado ambiente (autocarro, elevador, avião, no meio a multidão, etc) a pessoa neurótica começa a passar mal, achando que vai acontecer alguma coisa (desproporcional). Ou começa a passar mal só de saber que terá de enfrentar a tal situação (sem causa aparente).

A neurose cura-se? A neurose está muito dependente da personalidade da pessoa, das experiências de vida e do ambiente dentro do qual se movimenta. Ela poderá reaprender a lidar com as situações que habitualmente lhe provocam estados de ansiedade e insegurança. Ela terá de iniciar um processo de mudança e transformação
que a protejam de sentir de forma desmesurada os diferentes acontecimentos da vida.
F I M